A Importância de uma Alimentação Saudável

16.10.2020

​A 16 de outubro celebra-se o Dia Mundial da Alimentação, uma comemoração criada pela FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations) em 1981, que tem como objetivo chamar a atenção para os problemas relacionados com a alimentação e a nutrição, procurando medidas efetivas para combatê-los.

Atualmente, a população mundial é de cerca de 7,7 mil milhões de pessoas, das quais, 820 milhões são afetadas pela fome. Esse número tem crescido nos últimos anos e é muito preocupante. Estima-se que, no ano de 2050, a população mundial seja de cerca de 9 mil milhões de pessoas. Em face desta situação, é importante pensar em estratégias que garantam um aumento da produtividade, para que todas as populações sejam beneficiadas com uma alimentação de qualidade e que esta seja produzida de forma sustentável.

Esta comemoração visa, assim, alertar para a problemática da fome, pobreza e desnutrição no mundo, alertando para a necessidade da produção de alimentos e um apelo global à Erradicação da Fome, por um mundo em que alimentos nutritivos estejam disponíveis e sejam acessíveis a todos, em qualquer lugar.

Hoje, porém, mais de 820 milhões de pessoas não têm alimentos suficientes e a emergência climática é uma ameaça crescente à segurança alimentar. Enquanto isso, dois mil milhões de homens, mulheres e crianças têm sobrepeso ou são obesos.

 Num momento em que o mundo desperdiça mais de mil milhões de toneladas de alimentos por ano - um terço da comida produzida no mundo -, como podemos aceitar que a fome esteja a aumentar?

Estima-se que, até ao ano de 2050 a produção de alimentos tenha de aumentar 60% para conseguir acompanhar o crescimento da população mundial. E, no entanto, todos os dias deitamos fora imensa comida que poderia ser aproveitada.

Está na hora de mudar a forma como produzimos e consumimos, inclusive para reduzir as emissões de efeito estufa.

Como se sabe, cada cultura tem um conjunto de hábitos alimentares diferentes - a comida desempenha e sempre desempenhou um papel importante na história da humanidade. Existe uma estreita ligação entre a vida humana e a alimentação e é possível encontrar as raízes desta ligação desde os tempos antigos.

 A alimentação pode ser considerada não apenas como um meio de identificação e de afirmação de pertença, mas também como uma ferramenta de comunicação. Por meio dos alimentos e do ato de comer comunicam-se valores e cultura.

No referente à Alimentação portuguesa podemos considerá-la uma marca identitária, devido à qualidade e especificidades dos produtos de cada território, que deve ser valorizada e promovida como produto diferenciador do vasto património intangível existente em cada região.

Ao olharmos para um território, nunca poderemos esquecer os seus produtos endógenos, os seus produtos transformados, os inúmeros sabores inconfundíveis que as cozinheiras e os cozinheiros conseguem pelo saber fazer com tradição , do conhecimento técnico / empírico de base popular (saberes), relativo à seleção, preparação, modos de confeção e reaproveitamento dos produtos alimentares e pela confeção lenta de cada prato, que os torna primorosamente deliciosos, bem como, à partilha destes conhecimentos através de processos próprios (muitas vezes pela convivialidade à mesa) que estão na base das culturas locais e que definem estilos de vida específicos.  

Não poderemos, ao falar de Alimentação, não abordar a importância da Dieta Mediterrânica.

A "dieta mediterrânica" enquanto padrão alimentar é reconhecida pela comunidade científica e pela Organização Mundial de Saúde como uma "dieta saudável e sustentável".  Mas a Dieta Mediterrânica é mais que um padrão alimentar.

E por isso, em 2013, a DM foi reconhecida pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade e ao considerá –la como um verdadeiro estilo de vida, destacou o convívio, a celebração e transmissão de saberes em volta da mesa. 

O conceito de "Dieta Mediterrânica" como indica a origem da palavra "diaíta" termo grego que significa "modo de vida", engloba um conjunto de hábitos, costumes, valores, crenças, símbolos, gostos e estados de alma, do qual os hábitos alimentares são parte integrante. Representa uma filosofia de vida e um modo de sentir, baseados na partilha, na sociabilidade, na criatividade, na celebração e na hospitalidade, moldada por uma paisagem agreste e pelo Mar Mediterrâneo que contribuiu para o estabelecimento de uma dinâmica histórica e cultural complexa, em permanente movimento e evolução, e que perpetua um património cultural imaterial comum entre os povos que circundam este mar ou que dele sofrem influência, como é o caso de Portugal.

Assim, a Dieta Mediterrânica faz parte do bilhete de identidade da alimentação portuguesa. Na sua base encontramos produtos hortícolas, fruta, pão de qualidade e cereais pouco refinados, leguminosas secas e frescas (feijão, grão, favas, etc.), frutos secos e oleaginosas (nozes, amêndoas, castanhas, passas, etc.), o azeite como principal fonte de gordura e o consumo de peixe.

A dieta mediterrânica é considerada uma das mais saudáveis do mundo e ajuda a combater o risco de obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes e alguns tipos de cancro!

Por isso, é a base perfeita para a nossa alimentação diária: muitos alimentos de origem vegetal, muito peixe, pouca carne vermelha (que é a carne de animais como a vaca ou o porco; é preferível comer carnes brancas, a carne de aves como o frango ou o perú), alguns laticínios (o leite e os alimentos que dele derivam, como o queijo ou os iogurtes) e a utilização do azeite como principal fonte de gordura. ​

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A dieta mediterrânica é assim caracterizada:

→ pela abundância de alimentos de origem vegetal, como o pão, massas, arroz, hortaliças, legumes, fruta fresca e frutos oleaginosos;

→ utilização do azeite como principal fonte de gordura;

→ consumo moderado de pescado, aves, laticínios e ovos;

→ consumo de água e infusões

→consumo de pequenas quantidades de carnes vermelhas

→ ingestão moderada de vinho tinto, geralmente durante as refeições 

Devido quer ao incentivo da produção agrícola de espécies singularmente adaptadas aos ecossistemas locais, quer à preferência pelo consumo de alimentos de origem vegetal, em vez de origem animal, a Dieta Mediterrânica representa assim, um padrão de baixo impacto ambiental  - os princípios que a regem associam conceitos de alimentação saudável e equilibrada, produtos amigos do ambiente, biodiversidade, produção de comida local, atividade física e convívio familiar à mesa, com o conceito da sustentabilidade, designadamente, pela promoção da saúde e prevenção da doença, pela preservação do ambiente e da cultura popular e pelo fortalecimento das economias regionais. 

DRAPLVT/DRR/RRN LVT